sábado, 19 de julho de 2014

“Calar ou não calar, eis a questão”

<<Não alimentes os bulhões>> clamam as vozes que se dizem entendidas em boa conduta social e comportamento individual.

Isso significa simplesmente dizer “cala-te e está-te quieto” variando os argumentos ou porque se é superior ou porque se é demasiado inferior.

Perpetua-se assim e com bastante êxito a liderança da violência contra homens, mulheres e crianças de todas as cores, credos e nacionalidades.

Os alvos mais comuns e mais fáceis de atingir são as mulheres e as crianças um pouco por todas as latitudes e longitudes do planeta terra, pelo principio tido como NORMAL de que são os seres mais frágeis e dependentes da humanidade.

O que dificilmente é questionado, é que: até que ponto, calar uma vítima de qualquer tipo de agressão, irá transformar o comportamento do agressor para melhor? Não serão também agressores, ainda que passivos, aqueles que obrigam e induzem a vítima a calar-se e a viver sozinha com os traumas dos abusos que sofreu? Porquê que afinal os defensores das boas condutas, em vez de silenciarem a voz de quem contesta e se defende, não agem simplesmente contra os bulhões parando e impedindo a propagação do seu mau comportamento que simplesmente é visto como NORMAL?

Pois é, são as incongruências sociais que se afundam cada vez mais porque não existe coerência e sim excesso de condescendência.

Recentemente, cada mais ações em prol da verdadeira igualdade, fraternidade e justiça entre os seres humanos são encetadas por algumas organizações. Contudo, enquanto o NORMAL continuar a ser o abuso, a violência, a agressão deliberada, o assédio sexual e o emudecimento das vítimas então pouco ou nada poderá ser feito para que a paz e o bem estar reine no seio de todos.

Afinal de contas o que é que deveria ser NORMAL?

Normal é uma criança ser educada através de bons exemplos de conduta dos seus pais ou encarregados de educação, não a ser espancada e violada e obrigada a calar e a viver com uma culpa de que não percebe.

Normal é uma mulher ter acesso a trabalho, vida social e pessoal, a crescer como ser humano de acordo aos seus próprios critérios baseados no seu direito a liberdade de escolha, sem ter que ser continuamente sexualizada, assediada e agredida por quem acredita que ela é inferior ou só tem a função de procriação e suporte da vida do homem e ficar deste modo calada porque “a vida é mesmo assim”.


Normal é um homem ter esperanças e expectativas para o futuro para ele próprio e para quem o rodeia sem ter que calar e consentir aquilo que não é nem justo, nem equilibrado, mas o qual é doutrinado a silenciar e a não contestar.

Redacção e Locução de Mel Gambôa

Crónica emitida na Luanda Antena Comercial - LAC
Programa "Amanhã é outro dia" de Paulo Araújo

Sem comentários:

Enviar um comentário