sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Makas da Banda"

Já não basta a conexão de internet não ser das melhores, pagares, pagares e pagares para depois estares na rede, com o teu wireless ligado e uma serie de tentativas de invasão, estranhamente causam um surto de bugs, mas o computador está protegido, só que a jogar a defesa, desligo o wireless e tudo deixa de funcionar em condições: impressora e scanner vão a vida, o modem precisa de ser reiniciado,  a tábua de desenho precisa de ser reconfigurada, o trauma dos fios voltou aarrghhh já nada funciona remotamente, tudo precisa de USB's de novo, já não bastam as HD's.

Tudo ok, essas cenas acontecem... Recentemente foram a vida 27 Gigas irrecuperáveis de todas as fotos da minha vida… o que foi que eu disse mesmo: essas cenas acontecem. De qualquer modo estava há 24 horas seguidas acordada.

Vou a casa de banho para refrescar o rosto abro a torneira e wó wó wó wóóóó sem água. Minha nossa, penso logo que a electrobomba terá pifado. Hora de verificar o tanque e surpresa: está completamente vazio. Pepino! Aproveito a hora e chamo a cisterna enquanto é cedo. Que depois das 9 a.m. já ficam todos comprometidos.

Passo o dia sem água corrente, sem net, sem o meu office a trabalhar como deve de ser, prontos está decidido, vou ver televisão. Começa aquele filme marado que me relembra a minha infância, já não me lembro se Rambo, Robocop, Terminator é nesse momento que a luz diz hasta la vista baby!

Arrrrgh, mas mantenho a calma, vou mexer no conversor e tac, tac, o gerador não ligou. Pópilas! Vou verificar a situação e o tanque do combustível não foi abastecido. Ligo para os responsáveis e todos os telemóveis estavam desligados (mais tarde vim a saber, que andavam sem luz em casa há mais de uma semana e a vizinha já não estava a dar fezada de carregar o telemóvel).

Atiro um bidon vazio para o porta-bagagens, pego no carro e tento arranjar um pouco de combustível só para safar. Primeira bomba não tem, segunda bomba não enche bidons, terceira bomba está a abastecer… na esperança espero meia hora e na hora de me atenderem dizem que esqueceram de avisar que não enchem bidons, nem mesmo com o bidon no porta malas. Tasse bem. Encontro finalmente uma estação lá no fundo de um bairro que me faz a gentileza de encher o bidon, fico com o carro todo a cheirar a gasóleo e volto para casa, ligo o gerador.

Naquela de descansar um pouco frente a tv, o sinal começa a falhar, vou para a janela e um vento saído sabe-se lá de onde começa a bater forte, as porta começam a bater, a ventania piora.

Piff vai o sinal de televisão, bom ao menos o gerador tá safo, mas no meio disso tudo quando vou tentar tomar um banho dou conta que a cisterna nunca chegou, liguei ao responsável que me disse que com a chuva, só no dia seguinte… hruuummm… ok

Voltamos então aos tempos antigos e tomamos uma banhoca de caneca. 
De repente paff, a luz se apaga, a música acaba. O gerador é que se tinha desligado, lá fora está tudo inundado, fico sem vontade de ir ver o que se passa.

O dia estava a acabar, com a tempestade, o céu escureceu mais cedo, sem computador, sem net, sem luz, sem gerador, sem água.  Lembro-me que até aquele momento não tinha comido nada, não encontro nada pronto e o pão está duro como pedra. Na tentativa de cozinhar alguma coisa fico malaike porque o fogão é electrico, o microondas também, ai bate uma saudade do fogão a gás ou de um fogareiro básico só para colocar a água a ferver para um chá quentinho.

Apanho umas bolachas Maria para safar e acendo algumas velas e duas lanternas e olho ao meu redor a pensar no que fazer e encontro a solução. Era perfeito, com sistema wireless, scan automático através da retina, possibilidade de avançar e recuar sem freezes, não precisa de bateria ou de qualquer fonte de energia, bang, era isso mesmo que faltava: um livro.


Peguei nele, li, ri e gargalhei até adormecer e só acordei no outro dia. “São as makas da banda”

Redacção e Locução de Mel Gambôa


Crónica emitida na Luanda Antena Comercial - LAC
Programa "Amanhã é outro dia" de Paulo Araújo

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