segunda-feira, 6 de outubro de 2014

As crenças equivocadas e a morte ao amor próprio.

A actual sociedade globalizada, herdeira de duas guerras mundiais, uma guerra fria, ameaças terroristas e de ataques biológicos, está a deixar as pessoas cada vez mais inseguras, ansiosas, apressadas e sem paciência para nada.
Tudo é para ontem, tudo é para já. Não há tempo a perder, ou se poderá já cá não se estar.

A forma com que essas emoções afectam ao ser humano, faz com que este se sinta perdido e cubra esse permanente vazio que lhe invade com um consumo excessivo e até obsessivo de tudo e mais alguma coisa.

Infelizmente o sol que ilumina e aquece a todos, nem a todos sorri e quem não tem acesso a todas as glórias que o sistema proprociona a troco de dinheiro e em consequência a troco de tempo que por sua vez deriva do trabalho árduo e incensante, então sente que já não lhe resta remédio que não roubar, ludibriar, surrupiar, prostituir-se ou nos demais escalar.

Não é fácil aceitar que essa beleza juvenil tão em voga, esvai-se e esfuma-se  rapidamente no tempo e que estende-la um pouco mais custa os olhos da cara, pelo que não será nada estranho admitir que é esse poder  juvenil que se vendem em frascos a preços exorbitantes que fazem com que cada vez mais jovens se entreguem sem pensar ao “aqui e ao agora” porque a beleza e a juventude são efémeras e da prosperidade pouco se sabe e mal se entende. Há que aproveitar enquanto é tempo.

Daí não haver mais forças para contrariar, os monstros que se construíram nos desafectos e nas afeições compradas a preço de mercado, da última consola, boneca ou bicicleta. Tudo está a venda, tudo tem um preço, aproveita enquanto és mais novo, mais jovem e assim a inocência infantil se vai embora pois não tem mais espaço nesses corações apressados, apertados, da angústia causada por essa pressa, por essa ansiedade por essa falta de sobriedade. E assim se vai matando o amor próprio e novas crenças surgem, e se vão propagando no consciente e subcosnciente colectivo.

O mote é: não medir os meios para alcançar fins, fins que tão rápido se esmorecem, como as modas passageiras. A prostituição deixou de ser a profissão mais antiga, como que passou a ter mais glamour, mais adesão, até de quem se licenciou mas não vê mérito e prosperidade a ser alcançado pelo seu diploma, em tempo e hora antes que o frescor da beleza e da juventude se esmoreça é cada vez mais abominável crescer, aceitar a maturidade e as marcas de expressão testemunhas de uma vida que se propôs a ser vivida. A bajulação e o lambebotismo é outra prática muito utilizada, cada vez mais comum, mais descarada, tudo passa a ser uma questão de se estar bem ligado ao mais potêncial negócio ou badalada. Porque enquanto se é jovem e bonito é que é bom. E assim se vai materializando uma crença, uma ideia, alicerçada sobre o vão, fútil, efémero. Nem aqueles por quem os anos já passaram são imunes desse contágio corrosivo. É uma busca insensante para se ter, se ter e nunca se ser.

E assim se leva a vida, com o pé no ontem, com outro no amanhã, e o dia de hoje é completamente obliterado, de tal maneira descuidado, que apesar da força interior única de cada ser humano, este se deixa levar pela ânsia, pelo medo, pela especulação e assim vai deixando vazar de si mesmo, o amor próprio e a saudável esperança de que amanhã ainda é outro dia e que quantos mais somados a esse, mais valerão a pena.


Redacção e Locução de Mel Gambôa - emitido no programa: "Amanhã é outro dia" de Paulo Araújo, na rádio LAC - Luanda Antena Comercial

Sem comentários:

Enviar um comentário