terça-feira, 27 de outubro de 2015

As relações utilitárias

As relações utilitárias e como na hora do aperto todo mundo passa a ser mau “amigo” .

Hoje em dia fica difícil perceber se mais vale ser um zé ninguém com amigos genuínos, ainda que com muito pouco para nos darem ou  somente amizade possam ter por nós ou se melhor, fazer a escalada social para se ser alguém a se ter por perto e se garantir de volta algum retorno palpável e tangível.

Acontece que, seja por sorte ou por premeditação, tornarmo-nos o amigo a se ter é uma faca de dois gumes. Por um lado, se fica com a suspeita de que não existem mais verdadeiro amigos e por outro se vê crescer uma crescente cadeia de favores que só terminam de acordo as prioridades de cada um dos interessados em estabelecer uma relação.

Independentemente do laços afectivos que um laço de amizade tenha, até as ligações de negócios podem ter uma dose de afinidade que faça confundir a relação até a mais atenta das pessoas. Sem contar que no jogo das cobranças, quando se estabelece que ninguém deve nada a ninguém, jogar em pé de igualdade para os veteranos pode ser uma dor de cabeça quando o têm que fazer com os novatos.

Estar há mais tempo num negocio e ver alguma ou outra pessoa evoluir sem a nossa intervenção directa e até mesmo indirecta, pode ser um sapo a engolir ou um motivo para sorrir. Tudo irá depender como, com o passar do tempo, os laços de afinidade tanto para negócios como para possível amizade foram sendo desenvolvidos.

Sucede que os novatos, na sua escalada para ascensão profissional são confrontados com posturas omissas, de desdém e até de boicote, por parte de quem muito deu “no duro” para estar, mais perto do topo da hierarquia social. Entretanto e porque o mundo é mesmo assim, dá voltas, voltas e voltas e porque somos aproximadamente sete bilhões de habitantes neste planeta, quem não se der ao trabalho de reivindicar ajuda de quem não quer dar e continuar a fazer a sua própria caminhada individual, se irá deparar com a surpresa de ser requisitado para negócios, informações e até trocas de serviços por quem um dia o desdenhou.

Daí que, e de acordo com as prioridades de cada um, a questão que vem a baila é: quando para o veterano, o novato, nada tinha para dar em troca, porque motivos irá este último sequer entabular relação sem questionar o que tem esse indivíduo hoje em dia para me dar de volta? Cai por terra então a crença de que todos querem estar ligados a quem está no topo, pois caminhos cruzados, não são o mesmo que laços fortalecidos e quem não tem verdadeiros créditos no banco de favores ou só se disponibiliza quando poderá ter resposta imediata, então poderá concluir que o mundo está cheio de gente falsa com quem não se pode contar, e a pergunta que fica no ar é: foste pessoa com quem se pôde contar?

E como ninguém gosta de se sentir mercantilizado, filtrar amizades e outros negócios pode perfeitamente ficar assente na premissa de que dá somente votos de confiança em quem te trata bem, quando nada tens para lhe dar em troca no momento.


Redação e locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM

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