terça-feira, 27 de outubro de 2015

Em Maio Florescem as Pembas

Em Maio florescem as pembas.

Como se não bastassem as kijilas que afectam a boa saúde em tempos de mudança de clima, na nossa mãe Africa temos a cultura da pemba que se mistura com a transição de estação para se confundir na confusão e deixar qualquer um sem a percepção de qual realmente o verdadeiro motivo da sua aflição.

Esta temporada é a vez do catolotolo, bastantante popular, essa maleita é tão antiga quanto os povos desta latitude, mas na saturação dos surtos de paludismo, malária e dengue, vamos assustar os antibióticos e dar-lhes a conhecer que eles não são nada, quanto uma boa esfrega de petróleo, alho, gipepe e outros truques do tempo da avozinha.

Para os sofredores dos males vindos dos ares, cuidem-se os asmáticos e os bronquiosofredores, da poeira que em tempo seco paira bem alto pelo ar depois de uma boa dose de chuvas mil de Abril que deixaram areia solta e bem livre pelos ares.

Calor e frio são de sensações duvidosas, nunca se sabe muito bem quando acontece um ou quando acontece o outro, é tanto choque térmico, nessa fase de transição que toca a soltar tosses e ranhetas por tudo quanto é lado a custa de constipações, gripes, bronquites e pneumonias.

A febre tifoide, daquelas que tal como as anteriormente mencionadas são de diagnóstico “rápido”, entre aspas, porque não a nada como chamar as cólicas, dores de estômago, febres e tremores o que para todos parece óbvio, e sem muito se fazerem rogar, enfermeiros de postos médicos espalhados que nem cantinas, já avançam com a prescrição médica sem as análises esperar. – Estamos acostumados dizem, essa doença X ou Y é a que está mesmo a atacar muita gente nos dias de hoje. E vupá, injecção, medicação e vais para casa a rir e como na falta de um verdadeiro diagnóstico a malamba não cura, aí toca a buscar os culpados.

Se aquela tia que deu um presente inusitado, se aquela avó que nunca diz nada, disse ui, se aquela prima mostrou uma preocupação repentina, se aquela colega veio cheia de sorrisos, podendo qualquer um dos títulos ser aplicado ao género masculino, então tá, é aí mesmo que reside a fonte da kijila que não quer sair, mas como são muitos a partilhar dos mesmos males ao mesmo tempo, fica tudo misturado com a confusão e já fica que nem casa quando falta pão, todo mundo reclama, mas ninguém tem razão.

Ou as bruxas que supostamente não existem “pero que las hay, las hay” fazem de Maio uma autêntica festa, ou é hora de se tomar uma postura de liderança verdadeira desde  o coração da comunidade, qua se manifeste no bem estar geral. Como não esperar por tantas malaquias que invadem a cidade de saque, quando se acumula lixo e falta de bom senso durante todo o ano, que depois apanha um banho de chuva de uma vez só e a medida que seca e a humidade que se vai elevando pelos ares não traz nada mais nada menos que tudo aquilo que tranquilamente foi adormecido, pela força do sol e do calor. E como os ciclos sazonais não perdoam, então toca a Maio, o mês favorável para florescerem as pembas.

Redação e Locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM


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