terça-feira, 27 de outubro de 2015

Feitiços

Feitiços, milongas e capim amarrado.

O subconsciente colectivo da nossa latitude, leva sempre a crer e em muitos casos confirmar, a existência que poderes supranaturais que interferem na vivência mundana de cada um.

Desde pequeninos que crescemos com histórias de mistério e morte e acontecimentos que não fossem factos, seriam considerados meramente coincidências ficcionais.         

Vou começar pelo feitiço de base, e sorrio enquanto escrevo, só de me lembrar dos tempos de escola e que tudo o que mais queríamos, era fazer gazeta, fugir a um teste de avaliação contínua ou que não nos pedissem os deveres de casa não feitos.

Amarra capim, põe palito na cabeça ou reza para que o professor tenha cólicas, e como é de pequenino que se torce o pepino, a saga começa aqui.

Na adolescência e inicio de juventude  são as milongas de amor, os corações quentes, jovens e namoradiços, sem muito censo do que é compromisso, querem para todo o sempre aquela alma adorada, alvo de todas suas atenções, dá-lhe de beber um chá, guarda-lhe uma cueca usada , faz-lhe um bolo especial ou escreve uma carta de amor e enterra no meio de flores dizem os mais experientes no assunto.

E a gente vai crescendo, acostumado a ouvir contar, histórias mirabolantes, dá mãe que vendeu a alma do filho, para dar bom casamento a filha, da panelinha para conseguir aquele almejado emprego ou posto, da cama feita para tirar determinado indivíduo do caminho e no meio disso tudo a mensagem que passa é a do temor dos incompetentes e de almas tristes que preferem suportar-se do sobrenatural e usar a lei do menor esforço para ir a luta, usar a cabeça para formular soluções e acima de tudo dar vazão a sua criatividade e originalidade como factor do seu próprio sucesso.

Independentemente do quanto não se acredite nas bruxas ou que se creia que elas existam, existam, o certo é que por estas paragens e garanto que noutras também, não existiriam histórias fora do comum para contar ou algum bode expiatório qualquer, para as culpas deitar . Ou não seria o programa Insólito da rádio LAC nos anos noventa, alvo de tanta admiração, deixando-nos o locutor Paulo Araújo completamente boquiabertos  (bom, pelo menos a mim).

Mas como bom filho, do caminho de casa não  se esquece, na hora do aperto, há que puxar do baú as velhas fórmulas e sempre ficar de olho, feitiços,  milongas e capim amarrado se funcionam ou não, o que é certo é que na hora do aperto há muitos acalma-lhes a aflição.

Rivalidades e intrigas a parte, deixemos na mão do bom senso e do amor universal, a paz de alma ou a vida será uma sucessão de tormentos e como muito poucos de fiam da virgem, esperemos que o amanhã chegue, pois até lá é sempre mais um dia.

Redação e locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM

                               

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