terça-feira, 27 de outubro de 2015

Mentiras ...

O mentiroso além de viver as suas próprias mentiras como verdades, não distingue a verdade no meio de tanta mentira.
Não importa em que latitude e longitude se encontre. Desde as apalogista acérrimas da virtuosidade feminina aos homens defensores da moral social quando a sua própria é bastante duvidosa, quando a mentira se torna normal, pouco se pode fazer.
Alguns ainda levantam a bandeira da democracia para defender a estupidez da maioria, mas o facto é que se a maioria das pessoas passou a concordar que mentir é a melhor opção das suas vidas, não é por elas estarem em maioria que irão passar a ter razão. Muito pelo contrário, mas é nestes momentos que a minoria se resguarda para não perder as forças na tentativa de bater-se com quem realmente não vale a pena.

Mentira número um: a formação académica como medidor de carácter. Por mais que entre aspas, distintos camaradas, se suportem dos seus variadíssimos diplomas académicos, isso não significa que  como seres humanos estejam lançados na extratosfera da excelência como ser humano. Um exmplo crasso é que muitos são os doutos que em matéria de respeito a infância são um zero e não se coibem de se alimentar de criancinhas.

Mentira número dois: sou uma respeitável pessoa casada e com filhos. Como se ser-se respeitável como pessoa dependesse da capa do casamento e da paternidade ou maternidade. Não são poucos os telhados de vidro ou peneira que tentam esconder o sol, do facto que o adultério e a deslealdade muito reinam por baixo dessas carapuças.

Mentira número três: se eu nunca lá cheguei, ninguém me garante que outro terá lá chegado. Bom esse tipo de mentira é o que muitas pessoas contam para si mesmas, quando para as suas mentes símbolos de superação ou de objectivos alcançados sejam completamente inacessíveis. Por norma aquele que nada faz por sí próprio acha que todos os demais vivem do conto, uma coisa que eles mesmos estão acostumados a fazer para não se sentirem <<tão para trás>>.

Mentira número quatro... bom chega de exemplificar mentiras. No fundo no fundo, nem se deveria falar delas, para não deixar ninguém corado.

Tanto como a mentira, da verdade também não se deve falar porque por norma é indigesta ou não tem nada de relevante, mágico, espetacular a não ser que seja uma verdade que tenha sido mentira de outrem.

O que é realmente aterrador é passar por mentiroso quando se é verdadeiro, passar por arrogante quando se é sincero, passar por falacioso quando se é aberto e passar por ofensivo quando se é franco.

De tanto que se mente, as máscaras ficaram coladas a cara. Dizem os velhos ditados que a máscara um dia cai, mas como há um adágio que diz que o hábito faz o monge, vamos ter que nos acostumar que de tanta mentira esta passe a ser a nova forma de verdade.




Redação e locução: Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM

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