terça-feira, 27 de outubro de 2015

O calor, o azul escuro e os últimos dias de cacimbo.

O calor, o azul escuro e os últimos dias de cacimbo.

Falar do tempo sempre foi uma boa forma de quebrar o gelo, encher chouriços ou uma analogia de “morder a língua”.

Mas como cá entre nós, não há gelo para quebrar, nem chouriços para encher, nem tão pouco língua para morder, vou falar do tempo, just for the sake of talking about it.

Francamente não sei em que época o azul fica mais escuro durante a noite, se na época veranil ou no tempo seco de cacimbo, o que sei é que se desfruta mais a olhar para o céu nocturno durante o tempo de calor, pois no tempo do frio ninguém quer sair de uma noitada de observação estelar completamente cacimbado.

Nos últimos dias de cacimbo o tempo tem a mania, e porque é divertido personificar o tempo, o tempo tem a mania que dá rasgos tentadores de calor, para que o ser mais ansioso para que o verão finalmente chegue, se dispa dos agasalhos e se atire a correr para a praia, seja ela fluvial, seja ela marítima ou para loucos banhos de piscina.

Chegado oficialmente o inicio de verão e depois da sedução do clima para que mais ninguém se coibisse de dizer: welcome summer, o tempo decide que é caprichoso e não tem nada que dar tudo de uma vez.

Até que ele, tempo, decida, quando é que será altura de planejar piqueniques na praia sem correr o risco do dia acordar cinzento e mal disposto e obrigando as almas menos motivadas a ficarem na cama enroladas nas suas mantas e endredons, continuamos todos sem usufruir do máximo de vitamina D que nos seja possível obter e da boa disposição que o calorzinho nos dá.

Acho que até aquelas desejáveis cervejas a estalar ficam cacimbadas de tanto esperar para que com vontade sejam bebidas, porque com o frio são sempre preteridas por um tinto até pelo mais audaz dos cervejófilos.

Para os que adoram o frio e se sentem extremamente confortáveis com ele,  o fim do cacimbo é um momento de nostalgia antecipada e de prever com horror, os dias de suores indesejados, cheiros intensos e da vil sensação de estar “caloreados”.

Para os viciados em calor, viver nos trópicos é a bênção de durante nove meses usufruir de um clima temperado bem ao gosto do freguês e para quem não tem mais remédio e gosta do oposto recebe três mesitos de frio e fresquinho, em que há pouco ou nada de calor, em que não sei se o azul é mais escuro de noite, mas que os dias de cacimbo, estão mais do que contados.

O tempo é assim, tem rasgos de generosidade, ora favorece a uns, ora favorece a outros, mas quem faz mesmo questão de sentir frio, por favor que se mude para o planalto, porque um calorzinho e noitadas ao luar, não há igual.


Redação e Locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM

2 comentários:

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  2. Hello, My name is Dagmara and I am a student of Portuguese studies in Poland. I am about to write my B.A about Angolan feminist writers, I was curious if it was possible to ask You a few questions to enrich my thesis. I do speak Portuguese if it's needed. Hugs.

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