terça-feira, 27 de outubro de 2015

O inferno das comunicações modernas

O inferno das comunicações modernas.
Ao longo do tempo o ser humano sempre sentiu a necessidade em estar mais próximo dos outros desenvolvendo desde os tempos da invenção dos correios uma forma organizada e sistematizada de se comunicar com aqueles que estão longe de si. Tudo levava a crer que quanto mais rápidas, instantâneas e a baixo custo fossem essas comunicações menos ansiedade ele teria.

Contudo e quase que do mesmo modo, como quando nos tempos antigos se perdia correspondência sem ter como rastrear o seu paradeiro, é causa de grande irritabilidade e desgosto perceber que nem nos dias de hoje é possível livrar-se dos imensos factores que impedem uma comunicação viável e fluida com quem não está por perto, em tempo e hora e não se apanhar um chilique.

Tudo isso porque, nem com os cabos de fibra optica e ligações via satélite é possível evitar o congestionamento ou a falha nas redes mundiais de telecomunicações.

Desde o  telegrama ao telefone, passando pelo fax a internet, o aceleramento das telecomunicações veio associado a ânsia de se ter tudo para agora, para já, para  esse instante. Só quem sabe o quanto necessita de estar em comunicação é que sente agonia desesperadora de não ter rede no telefone, não ter a internet cem por cento funcional, não conseguir encontrar nenhum serviço público com sistema, etc, etc, etc.

É. Estar em contacto é hoje em dia fundamental. Quem é não sabe o peso emocional de ficar sem bateria no telemóvel ou no computador portátil? Quem é que nunca estremeceu todo por não conseguir enviar ou receber um e-mail ou um sms?

Parece brincadeira, mas quem não pertence a esse tempo nunca irá perceber, pois nada hoje em dia se compara as longas esperas de receber uma carta ou simples noticias enviadas por mensageiros, em nada se compara a modernidade dos telefones móveis como para quem foi um dia moderna a possibilidade de enviar um telegrama. Hoje, na sociedade do já e do agora se não for já e se não for agora os monstros da impaciência invadem o ser, transtornam a alma e só com muito calma é que na falta de melhorias é que o que mói, não mata.

Inspirar profundamente e com muita lentidão vai sendo a alternativa mais revigorante para suportar a impossibilidade de contacto, ter a esperança resoluta de que em pouco tempo estará tudo resolvido. Aguentar os cavalos, dominar a besta, superar a fobia é a única alternativa, porque ninguém garantiu que modernidade seria sinónimo de menos problemas. Hoje vivemos o futuro de ontem, mas do futuro melhor que se espera na data presente, só resta esperar que na próxima hora, a rede não falhe, o sistema não caia e a internet continue a funcionar plenamente.

Redação e Locução: Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5




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