terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os anti-depressivos, as ervas e o senso comum.

Os anti-depressivos, as ervas e o senso comum.

A vida é dura. Não é preciso esmiuçar muito, ela é dura e ponto, para uns a sensação é mais difícil, para outros nem tanto, mas no final das contas a vida é difícil para todos. Ricos, pobres, feio, bonitos, saudáveis, doentes, sejam quem forem, andam todos metidos na alhada da vida em que as dificuldades não perdoam ninguém e em que cada um leva uma cruz, que por sorte é um cruz a sua medida e que seja capaz de suportar.

A vida é cíclica. Não é preciso uma tese de mestrado para se perceber que ela é cíclica e ponto. Há momentos que a vida de uma pessoa corre como um mar de pétalas de rosas, outros momentos há, em que essa mesma vida corre como um mar de espinhos das mesmas rosas. Ricos, pobres, feios, bonitos, saudáveis, doentes, sejam quem forem, tanto quanto puderem vão nadar nesse mar e nos ciclos que daí vierem.

Entre ciclos e dificuldades, o processo mais complexo é a adaptação a cada ciclo e a gestão das dificuldades que deles advêm. O ser humano é complicado, naturalmente teimoso, e por mais que se acabe por adaptar as circunstâncias, leva tempo, uns mais que outros, mas levam tempo. E cada um a seu tempo, a medida da sua receita de anti-depressivos, ervas e senso comum vão conseguir desfrutar em tempo dos ciclos bons que a vida lhes propõe e dos ciclos maus que nunca ninguém quer, mas que todos têm mesmo que aguentar.

Os antigos sempre disseram que depois da tempestade sempre vem a bonança e que não a mal que não tenha fim, nem bem que sempre dure. Esses mesmos antigos (sim, sim, pessoas da antiguidade, muito mais atrás dos nossos tempos, mas que passaram por vicissitudes e outras atitudes), esse antigos através de um faraó e de um tipo famoso que interpretava sonhos sempre tiveram muito claro, que era preciso estar alerta e BEM ALERTA.

Com o sonho faraónico das vacas gordas e das vacas magras, se chegou a conclusão que em tempos de fartura, de alegria e abundância em tudo, era preciso criarem-se reservas e uma forma de estar, que chegada uma época de carestia e exiguidade de tudo até de amor próprio fosse possível cada pessoa superá-la de cabeça erguida e com alguma dignidade.

Não sei e nunca li em lado nenhum, como é que os antigos se safavam nestes momentos e se todos se saíam airosos dos momentos atrozes da vida, com a única exceção de que usavam a gestão, o método e a organização tal qual a formiguinha na história da Cigarra e da Formiga. Mas com a globalização de hoje e porque alguns seres humanos já podem “voar” (entre aspas claro), tal qual pássaros e migrar para as regiões quentes evitando os rigorosos invernos de outras paragens num abrir e fechar de olhos (bom talvez algumas horinhas e algum jet lag), então já não se vive a bonança e a crise em conjunto. É tudo um: salve-se quem puder! E para quem não pode migrar fisicamente para as zonas veranis, aguenta o inverno ou a temporada das vacas magras como puder e para se sair airoso nada como uma boa receita de anti-depressivos, ervas e senso comum e toca a encarar os ciclos e a dureza da vida o melhor que se puder.


Redação e locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5 FM

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