terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ser sem rótulos

Não é por não declarar o marido aos quatro ventos que uma mulher é menos mulher ou passa a estar por esse motivo, a mercê de indivíduos que mais parecem abutres e que confundem ser solteira com carne de morto.

Num mundo cada vez mais competitivo onde as questões do género são esmiuçadas até a exaustão, já vai sendo hora de se começar a reivindicar o direito de gostar se de ser simplesmente uma pessoa, com nome próprio, sem extenções tais como, mulher de beltrano, mãe do sicrano e filha de... bom o adjectivo filial é bem mais difícil de uma pessoa se livrar!!

 A questão é que, além de muitas outras coisas mais, a mulher parece que é menos mulher se não estiver acoplada a um título, preferencialmente o de esposa e/ou o de mãe.

Não importam os diplomas, os feitos e os méritos sociais e profissionais, não há nada como deixar uma mulher a sentir-se culpada e cheia de remorsos se ela não for apologista do matrimónio ou e acima de tudo, da maternidade.

Não importa se heroína ou mártir, sem marido e mais do que tudo sem filhos, ainda que seja um único, mesmo que falecido,  a mulher só se percebe ou é percebida como mulher se os tiver tido alguma vez.

Uma forma perfeita de perpetuar a tóxica dependência de se ter identidade em função de outrem e não pela mera existência e identificação como ser humano, entre os seus semelhantes.

Cada pessoa, mulher ou homem deveria fazer o uso pleno e total do seu livre arbítrio, começando pelo antagonismo a génesis de unir-se e multiplicar-se só porque sim.

Ser a favor, é perfeitamente normal, desde que não seja pela inerente pressão social e familiar que tudo faz em função da opinião alheia e reproduz esse comportamento de gerações em gerações.

Romantizar as coisas pode ser a solução para os pró-reprodução continua da espécie, mas fazê-lo sem a consciência plena do que é que se anda realmente a fazer é que deixa as coisas muito sinistras. Tão sinistras que muitos pais hoje não passam de escravos dos filhos e muitos só sabem viver em função total dos mesmos e de como e cada vez mais temos um planeta povoado de seres alienados e totalmente dependentes da tecnologia no 1º mundo e da mão invisível que nunca chega, no terceiro. Ou que de tão sinistras as coisas, os relacionamentos se pareçam mais a produtos descartáveis.

Sendo o Livre arbítrio o poder que cada indivíduo tem de escolher suas ações, e de fazer o que quiser com sua vida, e escolher qual caminho quer seguir, desde que não prejudique ninguém. Então é importante se debater pelo direito da mulher a não ter que viver nem com sentimento de culpa, nem com mal estar, nem muito menos com remorsos se for da sua inteira escolha não ser esposa ou mãe de alguém ou simplesmente não dar a minima importância para viver em função deste tipo de informação independentemente dos abutres que identificados a légua, não se consigam controlar ou pelo afam da luxúria ou pela extrema curiosidade.

Redação e locução de Mel Gambôa para o programa "Amanhã é Outro Dia" de Paulo Araújo na LAC - Luanda Antena Comercial 95.5

Sem comentários:

Enviar um comentário