sexta-feira, 28 de julho de 2017

Para as mulheres feministas por mera conveniência.

Há muita mulher que usa o feminismo por conveniência, porque quando já lhe convém a divisão de papeis de género em que o homem paga tudo ou executa determinadas tarefas tidas como masculinas, por isso ela se predispõe as tarefas ditas femininas e ela aí até já esquece como o feminismo é sobre questionamento dos papeis de género e empoderamento e emancipação da mulher como ser humana que é (e isso também inclui questionamento do papel de género para os homens).

É muito cinismo e hipocrisia MESMO!

Mulheres não são coitadas nenhumas. O patriarcado é uma merda sim, que " por defeito" nos divide em classes superior para homem e inferior para mulher, mas há mulheres que tiram partido da divisão de papeis de género sim, mas depois querem usar o feminismo como se fosse pneu de socorro e quando feministas conscientes topam essas jogada fazem birrinha, chororô e até se tornam anti-feministas e começam com essas cantigas de "ah porque não preciso do feminismo, porque nessa vida recebi mais apoio de homens do que de mulheres". A minha mensagem para essas individuas é: vão tomar no cu suas hipócritas, cínicas e ingratas.

Mulheres assim são tão detestáveis quanto aquelas que defendem abertamente o machismo e misoginia só porque vivem numa bolha de privilégios e alienação ou propositadamente vivem em dissonância cognitiva. Juro que eu não tenho mais paciência para aturar o eterno "sou feminista, mas sou feminina e não odeio homens" porque:

1. Feminismo nunca foi sobre odiar homens, mas as mulheres que os odeiam sabem muito bem o tipo de horrores que passaram nas mãos de alguns e elas estão no seu direito de se defenderem e de revanche na falta de justiça institucional.

2. Feminismo é sobre questionar o papel de género feminino e todas as ideias de feminilidade impostas a quem tem vagina e diametralmente opostas a masculinidade imposta a quem tem pénis, ambos desde o nascimento.

3. Mulheres feministas ou não, vão ser o que elas quiserem ou não, vão escolher (se for o caso) exercerem o papel de género esperado delas ou não, mas TÊM QUE SER COERENTES.
É a falta de coerência, umbiguismo e fazer do feminismo de acessório que torna o debate sobre as pautas feministas muitas vezes confuso.

4. Feminismo não é sobre uma mulher individualmente mas sim sobre mulheres como colectivo, ainda que individualmente implique questionamento, entendimento e mudança de postura.

É incoerente falar de direitos iguais e não colocar em prática as acções que nos levem a tornar esse processo cada vez mais tangível. Existem centenas de exemplos mas só citarei alguns:

a. Sim, mulheres ganhamos menos que os homens no mesmo cargo profissional (quando não estamos em empresas do Estado), mas isso não quer dizer que é papel de homem então prover para mulher A NÃO SER QUE VOCE ESTEJA A NAMORAR/CASADA COM O COLEGA de trabalho, aí sim quem ganha mais fica com mais encargos. Noutros casos as pessoas negoceiam quem paga ou provê em função de quem ganhe mais . Não é uma questão de género ou genital que se tem entre as pernas mas sim uma questão de gestão financeira.

b. Sim, mulheres somos condicionadas a mais trabalho além da profissão pois nas suas casas coabitando com homens os mesmo relegam por mau hábito as tarefas e responsabilidades de gestão doméstica que não se limita a lavar a louça, as mulheres, a questão é: o que raios estás a fazer a aceitar viver com um parasita? Até onde todo mundo sabe a gestão de uma casa é feita pelos adultos que vivem nela e homens com quem fodes, não são meninos de cinco anos e também porque tarefas domésticas SE EXECUTAM COM AS MÃOS e SE PENSAM COM O CÉREBRO.

c. Sim, mulheres somos alvo de muito terrorismo e pressão social quando não se tem um homem como escudo ou por quem sejamos vistas como dignas de atenção, afecto, segurança e respeito. Pois homens e a sociedade em geral só respeita a mulher quando ela está "ocupada" por um homem, e não por ela ser simplesmente humana; mas isso não quer dizer que tenhamos que nos conformar em aceitar violência, porque violência por violência ou sofrer dum lado ou sofrer de outro vai acabar por dar no mesmo, questionamento serve exactamente para desmantelar essa binariedade.

d. Sim, mulheres estamos condicionadas a uma certa vulnerabilidade em relação a gravidez que limita as oportunidades académicas e profissionais e em geral nos empobrece financeiramente e canaliza a própria energia para a criação das crianças, mesmo quando a mulher quer abortar existe a criminalização do aborto e uma série de empecilhos para o executar, quando se tem filhos (pelos motivos que for) existe uma constante responsabilização da mulher quando tem uma criança, mas isso não quer dizer:

- que mulheres não pensem e sejam incapazes de planejar sobre a sua própria vida e insistirem em partilhar a responsabilidade com um homem sobre cuidarem de si próprias. Empoderamento feminino é cuidar de si mesma, macho não tem que dar palpite nenhum.

- que mulheres sejam somente vítimas e coitadas, tenho noção da heterosexualidade compulsória, do casamento compulsório, da maternidade compulsórias, mas mulheres que usam esses argumentos quer dizer que tiveram acesso a informação para desconstruir em e desaromatizarem esses temas, o que se vê é usarem esses temas para legitimarem a romantização de tudo e não assumirem responsabilidade de nada, isso é cinismo, hipocrisia, má vontade e fazer do feminismo pneu de socorro.

É até aceitável e compreensível que façam determinadas coisas pela vossa conveniência, sobrevivência e conforto, pois é muita merda contra nós, mas sejam honestas e coerentes com os vossos discursos ou se dêem ao trabalho de questionar e pesquisar mais.

Algumas fazerem do feminismo curita é extremante desgastante para outras.

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