terça-feira, 22 de agosto de 2017

Mestiços, Colorismo e local de fala.

Mestiços reivindicarem contra o racismo não é “tomar lugar de fala” de ninguém, já que mestiços também somos alvo de racismo, foi por isso que o colorismo e suas teorias surgiram (ex: pigmentocracia, genoma negro, etc).
Sucede que além do racismo, mestiços somos também alvo de xenofobia de pessoas negras e isso é um facto.
O facto de uma pessoa negra sofrer racismo violento e que comparativamente aos mestiços “estes não têm porquê se queixar”, fez com que muitas pessoas negras diminuíssem as reivindicações ou constrangessem pessoas mestiças de se indignar com o racismo. ESSE É O PROBLEMA.
Quer dizer, só porque outra/o “sofre mais” a pessoa que é alvo de algum tipo de discriminação estrutural não se pode queixar?
Sem contar que tem que se ter em consideração (o que muitas pessoas não têm) o facto de que o racismo não é o único problema estrutural na sociedade em que vivemos, pois ainda temos o: machismo, classismo e a xenofobia e pessoas fazem questão de os ignorar propositadamente quando não lhes convém admitir que não estão a ser justas.
Por causa da negligência contra as pessoas mestiças alvo do racismo dos brancos, assim como da xenofobia dos negros, algum processo qualquer resultou em que quem quer reivindicar contra o racismo passou a ter como regra ter que se auto-identificar como pessoa negra, conclusão: tiro no pé para pessoas xenófobas (elas existem mesmo que muitas também sejam alvo de racismo), daí que agora qualquer pessoa branca, que vive como branca, que tem possibilidade de branca e que usufrui de privilégios brancos pode se identificar como negra desde que tenha um token na família em que se apoiar.
Por isso repito que <<sofrer racismo não torna negro quem é mestiço>> já que para sofrer racismo basta não ser branco, por isso é que nos EUA as pessoas se referem aos problemas das "pessoas de cor" (people of colour) hoje em dia, como os problemas da <<comunidade black and brown (negros e castanhos)>>, já que a primeira expressão é ambígua já que branco também é cor.
Devo reforçar que ser alvo de racismo e xenofobia em simultâneo não é argumento para usar como arma nas eternas Olimpíadas das Opressões, pois o que conta é o facto de que a pessoa tem capital social e cultural com base no privilégio de cor e por conta desse privilégio pode navegar socialmente com maior facilidade e portanto melhorar a sua vida.

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