terça-feira, 22 de agosto de 2017

Mulheres somos humanas, nem mais, nem menos.

Algo que tenho notado no seio de mulheres feministas é o puritanismo e falsos moralismos em relação a sexualidade e escolhas de vida da pessoa nascida com vagina.
Chega uma altura que ou você se assume como ser humana com vicios e virtudes (aqui ninguem vai ser a boa feminista ou a má feminista ) e com direito pleno sobre o seu/nosso corpo OU deixar de fazer ruído é fundamental.
A ruído me refiro ao facto de que mulheres desde meninas somos coagidas a não nos aceitarmos e a nos conformar-mos e resignar-nos as demandas dos outros e que na idade adulta e mesmo com acesso as pautas feministas mulheres reproduzem o mesmo contra outras mulheres e acham que têm o direito de o fazer só porque se consideram "empoderadas".
Por exemplo, ruido é :
- Repetir "meu corpo, minhas regras" mas não respeitar e aplicar o mesmo para o "corpo das outras, regras delas" em relação ao aborto, maternidade, sexualidade, estética. Sim temos que aprender e vamos desconstruir gostos, opressões e ajudar a quem só segue bala a questionar e pensar por si. Podem usar todos os slogans do feminismo mas para se identificar uma Minga basta fazer 3 perguntas e a resposta do costume se limita ao "é minha opinião, meu direito"... - honestamente já não tenho tempo ou paciencia para militar ao lado de quem não questiona a sua sexualidade, maternidade e escolhas, assim como conceitos de género, raça e classe social.
É importante frisar que empoderamento é sobre si propria e sobre o próprio corpo daí que temos:
1. O processo argumentativo e teorico que nos permite desconstruir o que nos é imposto. 2. A practica dos exercicios de empoderamento e aceitação de si mesmas. 3. Questionamentos sobre se isso funciona, se isso se aplica a todas e em todas as circunstancias. 4. Auto policiar a reprodução de misoginia como por exemplo:
a) insultar a sexualidade de outra mulher porque VOCE NÃO O FARIA. Mulheres também sentem tesão, gostam de partilhar fluidos com outrxs seres humanxs. Sim temos o direito de questionar se podemos falar de abuso ou exploração sexual sexual mas dar ouvidos a cada pessoa e avaliar o contexto em que ela se situa é fundamental.
b) julgar a decisão de ser ou não mãe de outra mulher só porque VOCÊ FARIA diferente. É fundamental antes de tudo questionar o porquê da maternidade pois é aquilo que já é esperado de quem é mulher. Escolher aquilo que já esperam que vc cumpra torna a escolha indiferente. Daí que parir seres humanos não é a gloria suprema só porque utilizou determinado orgão do corpo humano. Ser mãe é mais do que parir pois mulheres que adoptam tambem são mães e na falta de filhos biologicos isso tambem é esperado, pois se reduz a mulher ao papel de mãe como forma de realização humana. Eu não estou a falar aqui de gostos e de sentimentos pessoais, estou a falar de factos.
c) Ser anti aborto em relação ao corpo e vida que não são suas na defesa de pessoas que NÃO EXISTEM em detrimento de quem existe e está viva.
Em suma, todas nós fomos criadas numa sociedade misogina e machistas, obrigadas a aceitar mentiras como verdades ABSOLUTAS e falácias como dados inquestionaveis, TODAS somos passiveis de reproduzir misoginia e machismo, mas se é para levantar bandeira feminista que não seja somente para o que te convém a ti mesma. Sai do muro e lida com as consequencias e resultados da tua escolha com bravura, honradez e dignidade.
SOMOS HUMANAS nem mais e nem menos.

Sem comentários:

Enviar um comentário