terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sobre identidade racial vs raça.

Vi agora num video da PlayGround que dizia que 50,7% dos brasileiros se CONSIDERAM negros.
Nunca vi uma pessoa realmente negra precisar dessas considerações.
Aqui nos EUA (onde o discurso é IGUAL que o das minhas amigas brasileiras) eu sou automaticamente rotulada como latina (não, afro latina não, latina só) e quando eu digo que sou de Angola - sudoeste africano perguntam "ah então és negra?" (nunca soube de uma mulher de pele negra ter que responder essa questão) ou dizem "oh uma irmã negra da Africa" (Africa não é o unico continente com ancestralidade e pessoas negras).
Como ja levo anos nessa vida (desconstruir e racionalizar) respondo na boa que: 《não, eu sou mestiça mesmo》, e quase sempre ouço o seguinte: "mas isso é colorismo, sofremos todxs com o racismo, e o homem branco estupraram as nossas mães".
Daí eu tenho que explicar que:
1. Eu sofrer racismo não me torna negra. Na practica tenho mais mobilidade social que muitas mulheres negras (escuras) nos EUA. E em Angola, em Angola ser mestiçx é vida e não a misoginia e hipersexualização de que sou alvo nada tem a ver com isso. Uma coisa não retira a outra.
2. Estupros existiram e ainda existem mas a mestiçagem ou palmitagem (expressão brasileira) não são nem foram a única razão da mesma existir. Acho uma tremenda desonestidade desumanizar as pessoas e a habilidade de seres humanos se relacionarem só porque as opressões raciais e sexuais existem. Uma coisa não retira a outra. Sem contar que as relações inter raciais tambem servem e serviram de ascenção social, fuga de determinadas opressões, etc. Dizer que as relações inter raciais dependam exclusivamente da pessoa branca (e da supremacia racial) é tambem desumanizar a pessoa negra e sua habilidade de sentir e partilhar afectos ou até mesmo de defender as suas conveniencias.
3. Colorismo na verdade é um limbo como ser mestiçx. Quando lhes convém pessoas negras/africanas nos chamam de irmãs/os quando não lhes convém somos chamadxs de mentirosxs e menos negrxs/africanxs, quando falamos de sofrer racismo, só porque temos maior mobilidade social nesse mundo racista. Contudo uma coisa não retira a outra. Tambem o colorismo é caracterizado por temos pessoas brancas que dizem que "somos negrxs diferentes" ou "não somos tão negrxs assim", a ambas as raças assim de modo geral, lhes custa aceitar que mesmo com toda a xenofobia e racismo seres humanos de melanina diferentes vão se reproduzir e isso resulta em MESTIÇXS.
As pessoas cada vez mais estão a legitimar realidades inteligiveis por não quererem lidar com realidades tangiveis, por não conseguirem deixar de ser maniqueistas e perceberem que uma coisa não retira a outra.
Pessoas que vivem e são lidas como brancas literalmente têm reivindicado negritude por terem avós negros quando sabemos que o racismo é obvio contra quem tem pele escura.
Essas mesmas pessoas estão a tomar conta do movimento negro devagar e bem assim como o transativismo masculino (homens que se dizem mulheres) está a dominar o feminismo e a garantir pautas como pedofilia e negação da humana fêmea.
Conclusão: se alguém precisa de se CONSIDERAR alguma coisa (para vestir determinada identidade) então biologicamente essa pessoa não é.
Ideologia identitária é psicadelia.

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